Morreu no Rio de Janeiro o jurista, sociólogo e escritor Helio Jaguaribe, aos 95 anos, informou a Academia Brasileira de Letras nesta segunda-feira. O acadêmico, nono ocupante da Cadeira nº 11 da ABL, estava em sua residência, em Copacabana, e foi vítima de falência múltipla dos órgãos.

O corpo do acadêmico será velado na Sala dos Poetas Românticos, no Petit Trianon, na quarta-feira, dia 12. O sepultamento está marcado para o mesmo dia, a partir de 15 horas, no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

“Helio Jaguaribe foi um dos últimos grandes intérpretes de nosso país. Estudou o Brasil para transformá-lo, mediante uma abordagem desenvolvimentista, com a fundação do Iseb (Instituto Superior de Estudos Brasileiros), nos anos 1950”, disse no comunicado o presidente da ABL, Marco Lucchesi. “Cientista político de alta erudição e consciência vigilante, deixou obra vasta e criativa.”

Jaguaribe assina títulos como A Dependência Político-Econômica da América Latina e Brasil: Alternativas e SaídasUm Estudo Crítico da História, obra que Lucchesi chama de “divisor de águas da interpretação do processo histórico publicado em nosso país”.

Jaguaribe deixa esposa, Maria Lucia Charnaux Jaguaribe, e cinco filhos.

Biografia

Helio Jaguaribe de Mattos nasceu em 23 de abril de 1923, no Rio de Janeiro. Formou-se em Direito em 1946, pela Pontifícia Universidade Católica, e, seis anos depois, fundou o Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (Ibesp) juntamente com um grupo de jovens cientistas sociais. Até 1959, atuou como Chefe do Departamento de Ciência Política do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb), parte do Ministério da Educação e da Cultura.

Em 1964, condenou o golpe militar e deixou o país para viver nos Estados Unidos. No período fora, lecionou em nas universidades americanas Harvard (entre 64 e 65), Stanford (de 66 a 67) e MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusets (até 69).

De volta ao país, ele ingressou no Conjunto Universitário Cândido Mendes. Se tornou Decad no Instituto de Estudos Políticos e Sociais, cargo que exerceu até 2003. Foi agraciado com diversas honrarias em universidades brasileiras e estrangeiras. Em 1996, recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico, e, em 1999, a Ordem do Mérito Cultural conferida pelo Ministério da Cultura. Em 2005, foi eleito para ocupar a Cadeira de Nº 11 da Academia Brasileira de Letras.

Em agosto deste ano, a cineasta e filha do sociólogo Izabel Jaguaribe lançou um documentário sobre a vida do pai.  Batizado de Tudo É Irrelevante, o longa conta com narração de Fernanda Montenegro e entrevistas com especialistas e amigos de Jaguaribe.

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