A rua Joaquim de Sátiro hoje é endereço da artesã Maria de Souza Lima (dona Didi). Louceira das tradicionais panelas de barro. Voltando ao passado ela chegou ao atual bairro quando na rua citada haviam apenas três casas de taipa.

Dona Didi é filha do casal já falecido Chico Domingos Pernambucano e dona Ana uma Várzealegrense, dona Didi casou-se com Vicente segunda-feira carpinteiro, e vieram morar na Varjota a mais ou menos 60 anos atrás.

Ele além de carpinteiro era agricultor, ela iniciou as atividades como artesã desde criança, fazendo as cumbuquinhas, afinal essa é uma profissão passada de pai para filhos. Hoje aos 90 anos ela afirma ter pelo menos 80 dedicado ao trabalho com argila.

Durante décadas a rotina da dona Didi aos sábados era sair na madrugada para a tradicional feira das panelas na atual avenida Luiz Afonso Diniz, no centro de Várzea Alegre. Passou por algumas complicações no coração superou e hoje não atua propriamente como artesã no barro, mais com fazendo tapetes de fuxico, nome dado aos tapetes feitos com retalhos de panos.

Ainda lúcida e com uma vista de dar inveja, na confecção dos tapetes a linha na agulha não é problema para colocar, e sem óculos. Mas, vez por outra ainda mete a mão na massa, ou melhor, no barro para não perder um costume de 8 décadas.

O esposo Vicente já é falecido, porém, daquele exemplar relacionamento alguns frutos como: 5 filhos, 22 netos e 35 bisnetos. Mulher de poucas palavras, caseira, porém, respeitada por todos.

Nesta manhã de quinta-feira 25 de abril dona Didi participou uma missa em comemoração ao seu aniversário, missa esta celebrada na capela da Imaculada Conceição da Varjota. Parentes e amigos louvaram e agradeceram a Deus pelas suas 9 décadas. Vale salientar que a existência da capela depois de muitas mãos trabalhando, partiu de dona Didi que fez uma promessa para a edificação da capela. E hoje desfruta discretamente de um fruto que plantou a anos.