A utilização da ciência e da tecnologia a serviço do bem-estar da humanidade é uma condição para reconhecermos existência/inexistência de capacidade e humanismo entre os detentores do poder político em todo o planeta. A situação de pobreza e extrema pobreza que se multiplica, a cada dia, no hemisfério Sul, não é coisa natural, é histórica e tem suas raízes na relação desumana entre capital e trabalho, onde determinados grupos de “humanos” geram suas fortunas se apropriando das circunstâncias e do suor dos trabalhadores, da mais-valia por eles produzida. O crescimento dos bilionários no planeta é simultâneo e fonte do aumento da pobreza e extrema pobreza. Conforme a Lista da Forbes 2021, durante a Pandemia da covid-19 o número de bilionários no Brasil passou de 45 para 65, acumulando fortuna de 219 bilhões de dólares; e, nesse mesmo intervalo de tempo, 1000 bilionários do planeta conseguiram a bagatela de 5 trilhões de dólares. Enquanto isso, a desigualdade social cresce de forma assustadora e os números da covid-19, um quadro sinistro: 552 mil mortos, no Brasil; e 4,16 milhões, no mundo.

Os números e as circunstância supracitadas revelam o comportamento mórbido, a avidez, a cobiça, ou seja, as marcas inconfundíveis dos extremamente ricos na multiplicação de suas fortunas. Muita dor e sangue, uma situação que não sensibilizou os “abençoados” do grande capital, pelo contrário foi intensamente instrumentalizada por eles servindo de meio para a multiplicação de seu tesouro. Isso é DESUMANO.

Vejamos as antinomias em tempos de ciência e desenvolvimento tecnológico: ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres; no planeta terra a maioria não tem terra; pessoas morrem por falta de simples atendimento médico e remédio; a fome e a miséria se alastram pelo mundo, e o Brasil retorna ao mapa da forme, e apresenta 14,8 milhões de desempregados, seguido de 11 milhões de analfabetos absolutos, outros milhões de analfabetos funcionais e políticos; milhões que não dispõem de condições mínimas de proteção contra a covida-19, ou seja várias, pessoas residindo em espaços sem saneamento básico, sem água potável, em habitações sem banheiro, com apenas 1 cômodo, sem dinheiro para comprar álcool gel e máscara, sem as condições mínimas, enfim, para sobreviver. E o que é pior: o Brasil com apenas 18,4% da sua população totalmente imunizada – com duas doses.

O que diriam esses bilionários se ficassem, pelo menos, alguns minutos nesses espaços de penúria e abandono?

De tudo isso, podemos concluir: a ciência e o nunca imaginado desenvolvimento tecnológico não são colocados a serviço do bem-estar dos seus habitantes, a fim de resolver o problema da pobreza.

Mas, de tudo isso, ainda podemos também concluir: esses bilionários têm, na exploração do povo, o combustível para a multiplicação das suas “abençoadas” fortunas. Falar, para eles, em igualdade social e distribuição de renda é o mesmo que mostrar crucifixo, água benta, estaca de madeira e bala de prata ao vampiro.

No hemisfério sul, onde as desigualdades se aprofundam a cada surgimento de um novo bilionário, urge uma mobilização dos governos e frentes progressista, no sentido de criar alguns meios, a fim de, pelo menos, amainar a situação; incialmente pressionando os parlamentares no sentido de criar mecanismo de taxação das grandes fortunas.

Sem olhar para os excluídos do planeta é o mesmo que escancarar as portas para a insatisfação de todos eles, abrindo caminho para as revoltas populares e movimentos em busca de pão, água, moradia, emprego; justiça social, enfim. “A burguesia produz, antes de mais nada, seus próprios coveiros”, já dizia Marx no “Manifesto Comunista”.

A Organização das Nações Unidas surgiu em 1945 para promover a paz, decidir sobre segurança, diplomacia e cooperação entre os países. Do objetivo ao mundo da prática a distância tem sido incomensurável. O planeta se afoga em violência, em injustiças sociais, e a tão decantada diplomacia e cooperação, permanecendo apenas como expressões de retórica. Pululam os genocidas, germinam os governantes tiranos e insensíveis à dor dos excluídos, e sem justiça para puni-los. E a Corte Internacional de Justiça?

Vivemos uma crise, mas que deve ser conhecida, não como coisa natural, mas como evento histórico, ou seja, produzido pelo próprio homem.
Alguns têm uma sede infindável por luxo e riqueza; ou seja, aqueles que, na busca incessante de saciar a sua sede, não colocam limites nas suas pungentes idiossincrasias, sempre alimentadas pela ganância por mais-valia. Enquanto a maioria prefere apenas o essencial para viver com dignidade. Eis aí a caminhada dos antagonismos, na história.

Passivos e conformados, jamais. “Não é na resignação, mas na rebeldia em face das injustiças que nos afirmaremos”, dizia o grande mestre e Patrono da Educação brasileira, Paulo Freire.

O mundo está em constante devir, é um vir a ser perpétuo. Os exploradores e tiranos procustos, a cada instante, aproximam-se do ocaso.

Como dizia Rosa Luxemburgo, “Não estamos perdidos. Pelo contrário, venceremos se não tivermos desaprendido a aprender”

Prof. Dagoberto Diniz
Graduação:
– Filosofia (UECE).
Pós-graduação:
– Filosofia Clínica.
– Gestão Escolar.

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