Prato do dia: É OSSO!

Centenas de pessoas se enfileiraram na tentativa de receber restos de ossos e carnes não comercializados por açougue em Cuiabá.

Dezenas de pessoas se aglomeraram em um açougue no bairro CPA 2, em Cuiabá, Mato Grosso, com fé de conseguir ossos doados pelo estabelecimento. Entre os que fizeram fila para tentar receber uma porção do donativo, estavam trabalhadores autônomos com renda impactada pela pandemia, desempregados, donas de casa, aposentados e aqueles que dependem de benefícios sociais.

Cenas divulgadas pela TV Centro América, filiada da Rede Globo, e divulgadas no dia 17 de julho, a matéria ganhou repercussão nacional. As cenas expressam a dimensão e gravidade da
vulnerabilidade socioeconômica que aflige milhões de brasileiros. Entre os relatos colhidos pela TV, o sentimento de desesperança, fome e desprezo se fazem recorrentes.

Depois da desossa do boi, para retirada da carne comercializada para alimentar os que podem pagar, tem a sobra. O osso, a fome, o fogão à lenha, pé de frango, gasolina caríssima, desemprego, miséria e falta de informação.

Obviamente existe uma diferença brutal entre, de um lado, comer filé e viajar de avião e, do outro, auxílio de R$150,00 e osso de boi na fila gratuita do açougue, cogitando no máximo fazer uma sopa com a ossada. E essa é só mais uma diferença da polarização entre o presidente que come picanha de 1.800,00 e ex presidiário que matava a fome do pobre dando a oportunidade do seu filho se tornar médico.

Deixo de lado o termo jornalista “Insegurança Alimentar” para expressar o termo popular. Tem brasileiro passando fome, tem brasileiro morrendo e tem brasileiro pedindo socorro, todo os dias! Mas quem poderá defender-nos?

“ E o fascismo é fascinante
Deixa a gente ignorante e fascinada
E é tão fácil ir adiante e se esquecer
Que a coisa toda tá errada
Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada.”
(Toda forma de poder- Engenheiros do Hawaii)

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