No momento em que paramos para observar a sociedade contemporânea, a tendência é enxergar, enxuta e nitidamente, a imposição de um olhar inclusivo e vanguardeiro a questões importantes do processo educacional no Brasil. E isso nos remete a um estudo reflexivo das novas diretrizes da BNCC – Base Nacional Comum Curricular. Diretrizes que se estabelecem em um Currículo integrador, fazendo com que este possa dialogar com o desafio de desenvolver habilidades sociais, emocionais, de valores e atitudes adequadas para o exercício pleno da cidadania de cada estudante. Desafio de criar uma Base que possa, de certa forma, estabelecer o abandono da verticalidade no “ordenamento” de conteúdos prontos. Desafio de valorizar a inclusão do estudante na construção do seu conhecimento, do seu espaço, do seu projeto de vida e, acima de tudo, da sua formação cidadã, no campo das competências e habilidades, não ignorando, pois, a inteireza dos conhecimentos pessoais e da realidade de mundo.

Sabemos que, entre esses desafios, talvez um dos maiores – é fazer a integralização da qualidade educacional atrelada ao desenvolvimento das competências gerais da BNCC. O que também, na mesma proporção, provoca certo impacto, oportunizado por um contexto antagonista, quando, ao longo de muitos anos, o que predominou foi a lógica conteudista nos currículos escolares. Essa assertiva se acentua, acertadamente, pelo fato de ter havido mudança. E onde há mudança, há um novo olhar carregado de cuidados, de medos, de dúvidas, de resistências e, consequentemente, de desafios.

Pairando sobre essa análise, não resta dúvida de que gnoses podem manifestar uma integralização, graças à imposição das novas diretrizes curriculares. E é exatamente aqui ou aí, que ela (essa imposição) vai aproximar o saber discente e o fazer docente, rendendo lucro na prática integradora. Um lucro tanto dos conhecimentos como dos procedimentos operacionais. Uma prática aplicada e que vai fazer parte do cotidiano acadêmico de formação dos discentes pelos docentes. Estes (docentes) que são responsáveis por ministrar diversas disciplinas.

Realizar essa integralização dos saberes e fazeres (interdisciplinares) é admitir que a distância epistemológica existente entre a oficialização da teoria e a concretização da prática se torna mais curta. E a iminência do caminho é culminar resultados satisfatórios. Até porque estudos mostram que a falta de clareza nessa integralização (não evidenciada) é uma das causas do baixo desempenho dos alunos brasileiros, em avaliações nacionais e internacionais da educação. Portanto, é preciso a concretização da prática desses conhecimentos para que, a partir daí, tenha-se de fato, contributos que possam superar a fragmentação das políticas educacionais, uma vez que a Base dessas políticas indica o destino dos objetivos, enquanto o Currículo traça o caminho para se alcançar esses objetivos. E dessa forma, havendo a materialização do saber discente e do fazer docente, haverá mais e melhores resultados na educação brasileira.

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