Um pouco de ar fresco e sombra, em meio ao calor das cidades, é mais que um presente quando se aproximam os meses BROS (setembro, outubro, novembro e dezembro), conhecidos pela elevação da temperatura e da sensação térmica no Ceará.

Se valer da sombra de uma árvore, raro elemento da paisagem urbana, é sempre a solução mais adotada, quando essa está disponível aos pedestres que circulam pelas ruas de Várzea Alegre (no interior do citado Estado), onde áreas verdes urbanas é apenas um objeto do imaginário daqueles que idealizam um ambiente urbano com mais qualidade.

Fotografia: Júnior Silva

 

A ausência desse componente fundamental ao “ecossistema urbano” – as árvores- é um dos poucos itens onde não há distinção entre “ricos” e pobres nessa cidade, e tem se tornado em muitas cidades um importante aliado para se conseguir uma melhor equidade social.

 

 

O documento intitulado “Espaços verdes urbanos e saúde – uma revisão de evidências”, da Organização Mundial de Saúde (WHO, 2016) traz um levantamento com comprovações dos benefícios relacionados às áreas verdes urbanas, como: melhorias no funcionamento do sistema imunológico; redução de obesidade; aumento de relaxamento; amortecimento de ruídos causados pelos humanos e produção de sons naturais; exposição reduzida à poluição do ar; redução do efeito de ilha de calor urbana; comportamento pro-ambiental aprimorado; exposição otimizada à luz solar e sono melhorado; melhoria da saúde mental e da função cognitiva; redução da morbidade cardiovascular; redução de diabetes tipo 2; benefícios durante a gravidez, com melhoria de peso do bebê no nascimento; e redução da mortalidade.

São as árvores que fazem a regulação do microclima urbano, pois oferecem abrigo contra os raios solares, umidade para que o ar tenha uma melhor qualidade e “filtrar” gases tóxicos como o dióxido de carbono que são absorvidos pelas folhas. As áreas com muitas árvores limitam a impermeabilização do solo, absorvendo a água das chuvas diminuindo os efeitos das enchentes no ambiente urbano.

No campo das políticas públicas, recentemente, o Ministério do Meio Ambiente criou o Programa Cidades+Verdes que visa à execução de projetos de criação, ampliação, recuperação e integração de áreas verdes urbanas, no curto e médio prazo, com apoio aos municípios.

Foi criado em 2020 o Cadastro Ambiental Urbano (CAU),  para mapeamento e divulgação de informações sobre essas áreas. Com esse aplicativo, todos os municípios do Brasil podem cadastrar em detalhe suas áreas verdes urbanas, indicando o tipo de área verde (parque, praça, jardim botânico, por exemplo) e sua estrutura (banheiros, ciclovias, estacionamento, dentre outras). O cidadão, por sua vez, pode acessar essas informações pelo aplicativo, avaliando aspectos de segurança, lazer, condição ambiental e infraestrutura de cada área verde, além de poder emitir alertas sobre melhorias e ações nas áreas visitadas, contribuindo para a gestão. Somente municípios cadastrados no CAU podem receber recursos provenientes do Cidades+Verdes. E como era de se esperar, não há nenhuma área cadastrada no município de Várzea Alegre. Onde está o verde?

 

 

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