“A práxis é reflexão e ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo. Sem ela, é impossível a superação da contradição opressor-oprimido”. Eis Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido, mostrando a importância do conhecimento, não como floreio intelectual, mas como meio de compreensão crítica da realidade e direcionado para a sua transformação. As circunstâncias, a nossa realidade,  são o resultado da postura de homens e mulheres diante da vida. Elas não caem do céu, como se fossem presentes ou castigos dos deuses. Elas (as circunstâncias) surgem, mas produzidas pela nossa postura: passividade/alheamento/omissão ou práxis.

O poder do opressor se alimenta da passividade, obediência e submissão dos oprimidos. As circunstâncias nos dominam quando não as conhecemos, quando não refletimos, quando não pensamos sobre a sua produção e origem.

Quando as circunstâncias são desfavoráveis, significando, à maioria, perdas, inferiorização, dominação e exploração, não há sapiência em aceitá-las. É preciso conhecê-las, desafiá-las e, sobretudo, transformá-las.

Quanto mais cedo o povo acordar para a sua existência social, conhecendo e construindo criticamente, a sua história, mais cedo também estará preparado para a superação da contradição opressor-oprimido.

Os componentes curriculares (ou disciplinas) estudados nas escolas, devem funcionar como reflexão, como conhecimentos voltados para a superação dos problemas postos pelas circunstâncias: exploração, dominação, superstição, mitificação, discriminação, preconceitos, fake News e muitos outros.

Os componentes curriculares mostram toda a importância e produtividade quando acionados para a conscientização de alunas e alunos sobre a realidade, sobre os porquês da desigualdade social, concentração de riqueza e renda que, a cada dia, alcançam números assustadores.

Vivemos, a partir da invasão portuguesa, divididos: uns com melhores moradias, melhores salários, melhores escolas, melhores condições de vida, enfim; outros, a maioria, distantes e afastados dessas situações.  

Mas a realidade é que grande parte dos brasileiros ainda é dominada pela propaganda enganosa, pela negação da ciência, muito atenta e obediente à voz do negacionismo, à distorção da realidade. Um poder pastoral seguido por imenso rebanho. Quando a ciência fala, poucos escutam e vivenciam os seus ensinamentos. Neste caso, todos perdem.

A realidade, ainda, é que existem pessoas que não aprendem com as circunstâncias, não aprendem com os fatos, com a realidade dos números. São esmagadas, dominadas pela realidade, nada ficando de ensinamento.

Até o dia 12 de setembro de 2021, eis os números da covid-19:

– 587 mil óbitos;

– 21 milhões de casos;

– 64,75% da população vacinados com a 1ª dose; e

– apenas 34,31% da população vacinados com a segunda dose (imunização total).

Esses números poderiam ser bem melhores, caso o senhor que ocupa provisoriamente o palácio do planalto tivesse adquirido os milhões de vacinas oferecidas ao Brasil, em 2020. E esses números poderiam ser piores, caso não fosse instalada a CPI da pandemia.

A pandemia da covid-19 tem castigado a população brasileira, mas parece que para muitos, nada ficou de ensinamento. As aglomerações e sem máscara já permanece como a preferência de brasileiras e brasileiros. E, nesse clima, caminhamos para uma terceira onda, o terceiro ano de pandemia, seguindo dóceis e curvados ao chamado do BOLSOVÍRUS.

Mas, apesar dos pesares, o nosso jardim ainda há de florescer. Mais pensamento, reflexão, resistência, mobilização, ação … práxis, enfim! Eis a saída.

Como diz o genial chico Buarque:

“Apesar de você

Amanhã há de ser

 Outro dia”.

Prof. Dagoberto Diniz

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja mais