A história do Brasil tem sido marcada pela relação entre exploradores e explorados. E, entre estes, encontram-se brasileiros e brasileiras que se diversificam quanto à etnia, gênero, à profissão, à orientação sexual, à crença religiosa, entre outros. A maioria das pessoas pertencentes a esses grupos – minorias no sentido sociológico – são vítimas de um sofrimento maior que é a opressão que acontece sobre elas como classe, a classe trabalhadora, aquela que produz mais-valia, riqueza, mas obtendo indiferença e miséria: assédio moral, inferiorização, baixos salários; educação, saúde, habitação, segurança de má qualidade, insegurança alimentar, fome, desigualdade social, por fim.

O combate ao racismo – e a todas as formas de discriminação – é ação imprescindível, mas é imperativo integrá-la à luta contra a opressão que ocorre dentro do sistema capitalista. O negro é discriminado na sua cor e faz parte de um contexto de exploração mais abrangente, o espaço das relações entre o capital e o trabalho, produzindo lucro, mas desprovido das condições essenciais de subsistência. Apenas combatendo o racismo é impossível resolver o problema da desigualdade social. Urge, a superação da concentração de renda e riqueza, que a cada dia adquire proporções desumanas, aumentando a distância entre ricos e pobres.

A divergência do negro – e isso é válido também para outras minorias e suas causas específicas – não deve ser restrita à luta contra o racismo; ela deve atingir, sobretudo, a exploração que acontece sobre o proletariado nas relações de produção do sistema capitalista.

Atitudes reformistas, apenas escamoteiam a situação de discriminação. Urge uma postura revolucionária, de negação, afirmação e construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A consciência de classe é condição indispensável para a superação da opressão que alimenta o capitalismo. Os discursos antirracismo devem acontecer, mas que sejam integrados ao combate à exploração, uma situação representativa do abominável sistema de geração de alienação e desigualdade social.

Para as classes dominantes e opressoras o interessante é que as pessoas se fechem em grupos de causas específicas, de modo a não ter uma visão da totalidade e o conhecimento da questão de forma radical, ou seja, a partir da sua raiz. É óbvio que as causas singulares são importantes, contudo é preciso avaliá-las na perspectiva da totalidade das opressões, que ocorrem na classe.

A classe dominante, não é indiferente e contrária à luta contra o racismo. Ela sabe que essa ação não abala a estrutura capitalista. O que amedronta a classe detentora dos meios de produção é quando os oprimidos se rebelam, realizando uma luta antiopressão, iniciando greves e movimentos sociais.

No combate aos preconceitos e discriminações, que sofrem diariamente, a classe trabalhadora deve somar a esta luta a compreensão da realidade imposta pelo sistema capitalista de produção e assim produzir as armas eficientes e eficazes para a sua transformação. Não estacionar na defesa de direitos e causas específicas, mas caminhar com um objetivo comum, que é o combate ao sistema capitalista. Uma luta de todos os homens e mulheres explorados (as) e discriminados (as) contra as armadilhas e imposições do grande capital. Nessa batalha três armas serão essenciais: conhecimento, organização coletiva e disposição revolucionária.

Reputo o racismo como atitude detestável e criminosa. Não suportaria o convívio com racistas.

Bem-estar social é vivenciar as condições de cidadania plena, ou seja, uma sociedade sem discriminações, preconceitos e onde todos possam usufruir das condições basilares de subsistência.

Para a superação de todas as formas de discriminação, de dominação e exploração é necessário que a luta contra o racismo assuma também o combate incessante à opressão que atinge a classe trabalhadora brasileira.

Que o dia da Consciência Negra aconteça diariamente e em todos os espaços brasileiros, e que proporcione uma luta ampla, inteligente e incansável contra o racismo e à opressão que atinge a maioria dos brasileiros.

Que a consciência negra atinja a classe e supere a opressão!!!

Prof. Dagoberto Diniz

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja mais