A formação humana integral é uma proposta educativa que entende o educando não apenas enquanto um ser cognitivo, mas também em outras dimensões: social, afetiva, ética, estética, física, psicomotora, espiritual. A escola que considera o aluno apenas do ponto de vista intelectual é aquela que prioriza o ensino-aprendizagem dos números, das letras, dos conceitos e a sua correta aplicação nos exames e avaliações. Nesta perspectiva o professor compreende o seu aluno como aquele que sabe ou não sabe língua portuguesa ou matemática, mais especificamente. Esse reducionismo é um grande problema na educação brasileira, comprometendo o futuro e desenvolvimento de muitas crianças.

É como se a criança, o adolescente, os jovens não participassem de um contexto socioeconômico, fossem desprovidos de sentimentos, de vontades, desejos, carências, sofrimentos e problemas, ou seja, partindo da premissa de que aqueles que tiram notas baixas é por que são desinteressados, alheios e indiferentes ao conhecimento.

Muitas vezes cometemos erros quando conhecemos alguém, alguma coisa, a nossa realidade, apenas sob um determinado ponto de vista, desconsiderando outros olhares, outros aspectos e dimensões. Geralmente as coisas, as pessoas e a nossa realidade não são o que parecem ser. Julgar pelo primeiro olhar é engano à vista. Por trás de muitas belezas, encantos, sorrisos, podem existir um universo de problemas envolvendo frustrações, carências, sentimento de inferioridade e muita dor.  Os que julgam pela aparência percebem apenas a ponta do iceberg, desconhecendo o seu mundo submerso.

À escola cabe múltiplos olhares, pois os educandos não são os mesmos, posto viverem em determinados contextos, sob determinadas condições.

Dizia o grande Protágoras de Abdera – filósofo sofista da Grécia Antiga, século V a. C. – que “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”.

Nós somos 210 milhões de brasileiros e, na mesma proporção, comportamentos, maneiras de ser, de agir, de sentir, de compreender, distintos, diversos. Esta é uma realidade suficiente para nos fazer entender que não podemos motivar toda uma sala de aula com um mesmo procedimento metodológico. É indispensável compreender que os educandos não são os mesmos, posto viverem sob determinadas situações afetivas, éticas, sociais, espirituais, psicológicas, emocionais. Estas situações que permeiam a vida dos alunos irão influenciar ou obstar a aprendizagem de todos eles.  É preciso, pois, compreender o universo de cada um que pretendemos motivar, educar, formar: como o mundo parece para ele (a), o que acha de si mesmo (a), suas buscas, seus dados de semiose, a potência de agir, entre outros.   

Em uma sala de aula nem todos aprendem da mesma forma, uns conseguem com mais facilidade, alguns de forma mais lenta, outros têm mais dificuldades, precisando de mais atenção e compreensão por parte do professor sobre as suas condições de aprendizagem.

A educação não deve focar apenas na aquisição e produção de conhecimentos, em alguns momentos, faz-se necessário diálogo acerca da vida e de escutar cada um sobre sua situação, suas circunstâncias, limitações, emoções, problemas, medos, carências e vontades. Esta é uma postura que reputo indispensável, sobretudo nas escolas públicas, onde a maioria dos alunos não conta com acompanhamento da sua vida escolar pelos país, e convivendo num contexto pleno de limitações.

A metodologia docente deve acompanhar a heterogeneidade da sala de aula. Antes de qualquer avaliação e atribuição de nota, convém uma análise do processo e da situação discente. Antes de qualquer juízo de valor, verificar as possibilidades ou limitações de cada um.

Compreender o aluno somente pela dimensão cognitiva, é compreendê-lo pela metade, é considerar o todo pela parte, um comportamento reducionista que ignora outras dimensões, competências e habilidades da pessoa. Considerar alguém apenas por uma de suas várias dimensões é mutilá-lo. Quando essas questões são desprezadas reprovamos o aluno não apenas na escola, mas comprometemos o seu futuro, a sua vida.

Formação integral é finalidade da educação e está presente em importantes documentos: LDB (art. 29), BNCC (p. 14), DCRC (p.72), DCN (art. 22).

É óbvio que o desenvolvimento intelectual é importante, quanto a isso não resta a menor dúvida. O grande problema é quando a escola desdenha da formação integral, ou seja, quando despreza as dimensões social, afetiva, ética, estética, física, psicomotora, espiritual, psicológica, emocional que fazem parte da vida do ser humano.

Nós precisamos frequentar as escolas para estudar e aprender. Mas a aprendizagem deve possibilitar o desenvolvimento integral do aluno, com desenvolvimento cognitivo possibilitando o conhecimento de si mesmo e, por conseguinte, a compreensão do significado das suas emoções, limitações, e do potencial para a superação dos desafios cotidianos.

A escola deve preparar para a vida, e esta preparação deve envolver, além da preparação intelectual, muita atenção e cuidado com os aspectos emocional, afetivo, ético, social, psicomotor, físico, que envolvem aqueles que estão aprendendo. Estas questões não podem ser desprezadas, pois muitas vezes os problemas de aprendizagem têm aí as suas explicações.

Compreendendo essas questões, as escolas de Várzea Alegre têm realizado múltiplos olhares sobre o desenvolvimento do ensino-aprendizagem. A Secretaria Municipal de Educação deu um grande passo nesse sentido com a criação da Equipe Multidisciplinar – Giseli, psicóloga; Rosânea, psicopedagoga; Rita Leal, pedagoga; Gerle, pedagoga; Fernanda, assistente social; Maria Costa, coordenadora da educação inclusiva –  realizando diálogos com as escolas da rede no sentido de levar a todas elas a necessidade de compreender os alunos em todas as suas dimensões. A equipe realiza, diariamente, atendimento ao aluno – sempre acompanhado dos país – que necessita de um acompanhamento psicológico, pedagógico, psicopedagógico e assistência social. 

Escolas e equipe multidisciplinar estão sempre interagindo, o que significa melhoria do atendimento e, consequentemente, da educação.

 

Prof. Dagoberto Diniz

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