BLOWIN IN THE WIND

(Bob Dylan)

(…)

“Quantas vezes um homem precisará olhar para cima

Até que ele possa ver o céu?

Sim, e quantas orelhas um homem precisará ter

Até que ele possa ouvir as pessoas chorando?

Sim, e quantas mortes serão necessárias até que ele saiba

Que pessoas demais morreram?”

(…)

 

“É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades”. Eis o § 1° do art. 14 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tão ferido e desrespeitado por aqueles que mais deveriam divulgá-lo, defendê-lo, ou seja, o Presidente da República e o caudatário Marcelo Queiroga, o Ministro da Saúde. A vacinação de crianças de 5 a 11 anos foi aprovada pelas autoridades científicas e o palácio do Planalto, através da desmedida insciência, do seu chefe temporário, não reconheceu e tentou – embalde – impedir, mas encontrou resistência por parte dos homens de ciência e a pressão da população.

Nos últimos dois anos, 301 crianças morreram (14,3 mortes por mês ou 1 a cada dois dias) de covid-19 e 6.163 tiveram diagnósticos positivos. Mas o Ministério da Saúde – anestesiado pelo descaso do seu superior – foi indiferente a essa situação, sempre obstando a iniciação da imunização das nossas crianças.

O Presidente da República ainda chamou os defensores da vacinação infantil de “tarados por vacinas”.

Aproxima-se o início do ensino presencial, momento que exige cuidados especiais com a proteção das crianças. E a situação ainda se agrava diante do avanço da variante ômicron, o que mostra a urgência na vacinação infantil, ainda nesse mês de janeiro. A vacina já teve a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 16 de dezembro de 2021, mas ainda não foi aplicada, o que teria que ser feito logo após a sua aprovação.

Agora temos que esperar pelo Ministério da Saúde para iniciar a distribuição das vacinas aos postos de saúde. Estaríamos mais satisfeitos e aliviados se, pelos menos, houvesse boa vontade por parte do Senhor Marcelo Queiroga.

Enquanto a maioria dos brasileiros pedem vacinas, os negacionistas pedem carnaval, festas, futebol, aglomerações. Tudo conforme a cartilha do tosco BolsoNero.

Bob Dylan, cantor e compositor norte-americano, entendia que testemunhar uma injustiça e nada fazer para impedi-la, seria o mesmo que cometê-la. Eis uma lição que devíamos utilizar no nosso dia a dia, a fim de enfrentar as injustiças e opressão recorrentes nesse imenso e sofrido Brasil. O Brasileiro tem sido vítima do seu silêncio.

Quem faz a história não são os deuses do Olimpo. Ela é feita por homens e mulheres, numa luta constante na defesa de direitos e combate à exploração. Uma eterna luta de classes, conflito entre capital e trabalho. E a qualidade das situações geradas por essas lutas tende a ser proporcional à organização e qualidade das ações empregadas pelo oprimido.

Mas os cidadãos brasileiros têm certeza que este ano não vai ser igual aqueles dois que passaram. A esperança será demonstrada nas redes sociais, nas ruas e em todos os espaços, em forma de questionamento, grito de insatisfação e muita pressão.

O descontentamento do brasileiro se mostra em todos os setores: educação e saúde precárias, baixos salários, desemprego, aumento exagerado de preços e a falta de vacinas.

Tudo isso deve ser motivo suficiente para a nossa insatisfação e, consequentemente, para as nossas atitudes de repulsa e combate.

Estudar, conhecer o mundo, as pessoas e assim compreender o que queremos para o nosso país, eis a questão! Ficar somente assistindo ao espetáculo, votando, pagando imposto, e sofrendo com o fim dos nossos direitos, assim não dá!

E você, prefere testemunhar as injustiças, sem nada fazer para combatê-las ou prefere participar, fazendo história e lutando por justiça social? Saiba que somos livres para escolher, mas também responsáveis pelas consequências dessas escolhas. Fazemos história com a nossa ação e até com a nossa omissão.

“À la” Bob Dylan, vamos provocar a consciência crítica, vamos gerar reflexão, combater a alienação e todas as formas de exploração.

Prof. Dagoberto Diniz

 

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