“A pandemia não está nada perto de acabar”, assim destacou Tedros Adhanome, Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), um alerta, mas que parece não incomodar, muito menos preocupar parte das pessoas no enfrentamento do coronavírus. Indiferença à pandemia significa problema a curto prazo, pois os efeitos da omissão, logo, logo se manifestam de forma violenta, obviamente sem escolher classe social, etnia, gênero, mas que produz entre os pobres, efeitos letais.

Outras pandemias já aconteceram, sempre com resultados danosos para as populações. No século XIV tivemos a pandemia da peste bubônica que significou muito sofrimento, dor e mortes, chegando a dizimar um terço da população europeia. Giovanni Boccaccio (1313-1375), genial escritor e poeta, em sua obra-prima “Decamerão”, descreve – nas páginas iniciais: primeira jornada – o caos provocado pela terrível peste:

“Tão grande era o número de mortos que, escasseando os caixões, os cadáveres eram postos em cima de simples tábuas. Não foi um só caixão a receber dois ou três mortos simultaneamente. Também não sucedeu uma vez apenas que esposa e marido, ou dois e três irmãos, ou pai e filho, foram encerrados no mesmo féretro. ”

Todo esse clima dantesco aconteceu no século XIV e, mais de 700 anos depois, a humanidade ainda padece da ação letal dos vírus. Hoje temos o nunca imaginado desenvolvimento científico, o que já seria suficiente para enfrentarmos com mais sucesso as crises sanitárias do que durante a Idade Média. As pessoas são constantemente informadas sobre proteção contra o temível coronavírus, mas muitos ignoram, mostram-se indiferentes à voz da ciência e preferem curtir a vida de forma negligente e irrefletida. Conhecem os melhores caminhos, mas seguem os piores.

Vacinas, utilização de máscara, medidas de higiene e distanciamento social são os meios indicados para o enfrentamento da pandemia da covid-19. A população é constantemente informada, entretanto, muitos humanos têm optado pelo descumprimento dessas medidas.

Desprezo por vacina, rejeição ao uso de máscara e preferência pelas aglomerações têm sido a postura irresponsável dos disseminadores do coronavírus. Se as festas são proibidas, mesmo assim são realizadas num clima totalmente propício à propagação da doença. Sem vacina, sem máscara e sem responsabilidade com a vida do ser humano, eis o caminho seguido pela estupidez negacionista.

Dizem que a máscara gera desconforto; mas a notícia que temos é que a intubação gera mais desconforto, sendo até provisório, pois a maioria morre. Desprezam a vacina, mas a maioria dos que entram nas UTIs é daqueles que rejeitaram a vacina.

O pior de tudo é que o negacionismo tem encontrado seguidores; mas o pior de tudo ainda é ser o Presidente da República a principal voz contra a ciência, contra as vacinas contra todos as medidas protetivas.

O Brasil tem se tornado ambiente adequado para a proliferação das temíveis variantes. No momento sofremos com a ação danosa da ômicron e, pelo comportamento inconsequente de muitos brasileiros, muitas outras variantes chegarão e encontrarão solo fértil para disseminação e destruição de vidas.

É verdade que o coronavírus não escolhe classe social, etnia, gênero, isso é óbvio. Mas o que dizer de uma família pobre – a maioria no Brasil – que não dispõe das condições mínimas de subsistência para enfrentar a pandemia, num clima de privações.

Será que as classes média e alta passam por essas carências?

As mensagens de FELIZ ANO NOVO, emanadas da grande mídia, sempre a serviço dos representantes fieis do letal capital, são exemplos apenas de deslumbre retórico e da habilidade mesquinha para a enganação e produção da resignação. Começamos 2022, mas os velhos problemas ficaram ainda mais fortalecidos pela voz irresponsável dos multiplicadores da dor e sofrimento dos brasileiros.

Aqui tudo vira festa, aglomeração, contaminação e, consequentemente, despesas para a saúde pública, já tão castigada e maltratada. O Governo Federal e o Ministério da Saúde ainda não perceberam que desse descaso para com a vida da população redundará sempre em mais despesas para a saúde pública que não terá condições de enfrentar os efeitos do problema que, a cada dia se intensifica.

Educação e prevenção são remédios eficientes, sobretudo no que concerne à saúde, mas atualmente a opção tem sido pela medicina curativa, gerando gastos, mais problemas e sofrimento para os brasileiros do andar de baixo.

A saúde brasileira tem excelentes profissionais, em todas as cidades, com exemplos incontáveis de trabalhos, projetos e ações exitosas beneficiando toda a população. O problema na saúde tem sido de GESTÃO, ou seja, gestão federal que não não cumpre com as obrigações, desobedecendo totalmente as determinações constitucionais. A ineficiência e o desastre em todos os setores da administração tem sido a característica do desgoverno Jair Bolsonaro, o abominável Messias.

Coronavírus, negacionismo e atraso socioeconômico, juntos contribuem para a perpetuação da covid-19.

Entre festas, danças, comemorações e aglomerações produzimos um clima de longa vida ao coronavírus… E tudo isso acontecendo entre os “racionais”.

Aos negacionistas, deixo a lição de Dom Hélder Câmara:

“As pessoas são pesadas demais para serem levadas nos ombros. Leve-as no coração”.

 

Prof. Dagoberto Diniz

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