O SABER, A SAPIÊNCIA, O SÁBIO E O SABIDO

Nada mais salutar que o conhecimento. Tanto faz, se individual ou coletivo. O hábito da leitura, o aprendizado pessoal, a curiosidade intelectual, o tirocínio lógico, o estudo da matemática, a introspecção mental, a dialética, o aprofundamento científico e a capacidade de ouvir compõem a grande teia do saber da espécie humana. Ter um gosto abrangente faz a pessoa se tornar mais saudável e compreensível: na música, na literatura, na religião, na política. A capacidade pessoal de se colocar no lugar do outro a torna mais humana. O desempenho na língua, na teologia, na história, na filosofia, na psicologia a coloca na vanguarda do seu tempo. Não há dúvidas, que através do saber, podemos agregar valores e chegar à tão desejada liberdade.

A palavra sapiência é derivada do latim, sapientia, que significa sabedoria. O verbo correspondente sapere tem o significado original de saborear (perceber, discernir, conhecer); seu particípio presente sapiens foi escolhido para o binômio latino Homo sapiens da nossa espécie humana. Ela é um híbrido do conhecimento com a experiência. Os adolescentes e adultos jovens costumam interpretar o mundo pelo cotidiano, no gerúndio; os mais vividos, pela experiência. Enfim, o homem com conhecimento prévio e bagagem consegue tornar a vida mais palatável.

O sábio se expressa pela erudição, quantidade de conhecimento, prudência e equilíbrio. Normalmente, pode ser um especialista, um artista, um pensador; um indivíduo com visão crítica e intelectiva capaz de dar resolutividade às coisas; um ser humano criativo e de grande percepção, que esteja além do seu tempo. Sócrates, Platão, Pitágoras, Hipócrates, Mozart, Michelangelo, Picasso, Freud, Alberto Nepomuceno, Vila Lobos, Padre Cícero, Ariano Suassuna, Luiz Gonzaga são alguns exemplos. Cantar a essência do sertão através do pensador Zé Dantas, mergulhar na mente freudiana e inundar o mundo com eternos acordes é a mesma coisa. Coisas de gênios.

E o sabido? Este, tem sapiência; pode ser sábio; pode ter saber; tem inteligência; pode ser apenas culto, sem discernimento; pode não ter cultura nem tirocínio; pode ser jovem, pode ter lastro; pode não ter nada ou ter tudo; pode gostar de música clássica, jazz, blue, forró, sertanejo ou das cantorias de Geraldo Amâncio, nosso ícone; pode saber de cor salteado os Lusíadas ou o Soldado Jogador, de Leandro Gomes de Barros. Nada importa. Ele é sabido, e pronto! Se vocês pensam que estou conversando muito apenas para completar o texto, não acetaram. Não sou sabido.

Por motivos profissionais, inicio o ano novo, hoje. Um momento de alegria, de reflexão, de execução das ideias planejadas. Se não fosse o relógio e o calendário, não conseguiria sobreviver. Sinto paz em organizar o tempo. Sei que a maioria das pessoas pensou em organizar dois mil e vinte e dois. Um colega me conta uma história, deveras interessante, no primeiro dia do ano, totalmente dentro da ética. Apenas repasso.
– Doutor, o senhor pode me emprestar trezentos reais? Estou desempregado.
– O senhor veio a este espaço de trabalho, sem doença alguma, esperou todo esse tempo, para me pedir dinheiro emprestado?
– Desde o dia 31 de dezembro que penso. Não tive sossego. Não apreciei nem a queima de fogos. Meditei bastante. Eu lhe pago de três vezes.
– Como, se você perdeu o emprego?
– Todo dia quatro do mês, eu assino uma consulta do meu convênio, juro! Ele ainda não foi suspenso. Encerro a terça boa em prosa e verso com uma décima.

Quando escrevo algo por conhecimento,
este evento, eu entendo, por saber;
apostando que quem não quiser ler
perderá um bom texto, a contento.
Se algum sábio mostrar forte argumento
far-se-á o meu gênio preferido.
Comprovando o estudo dirigido,
eu atesto que ele tem sabedoria,
mas se alguém lhe enganar com maestria,
este alguém, eu o chamo de sabido.

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