A PASSIVIDADE E A CRISE DE REPRESENTAÇÃO POLÍTICA
A omissão e a inércia diante dos fatos, ao mesmo tempo que fortalecem a classe dominante, aniquilam os direitos sociais dos dominados. Desconheço o povo que tenha conquistado os direitos e garantias essenciais do ser humano apenas assistindo à história. Quem se mantém envolvido unicamente pela esperança, desprovido de atitudes questionadoras e de ações voltadas para a transformação social, perpetua-se resignado diante da violação da dignidade humana. Calados e conformados simplesmente fortalecemos as estruturas de poder. “Quem espera sempre alcança”, diz o ditado popular. A história mostra que os povos oprimidos só conquistaram avanços sociais quando, além da esperança, passaram a questionar e a intervir na ordem vigente a fim de transformá-la. O compositor Chico Buarque de Holanda é autor de “Carolina”, uma obra de 1967. É uma canção que, à primeira vista, trata de uma tristeza amorosa, mas que traz nas entrelinhas uma metáfora da resignação silenciosa: “Eu bem que mostrei a elaO tempo passou na janelaSó Carolina não viu” Carolina é representada como a pessoa que fica apenas assistindo aos fatos do cotidiano e sendo afetada por eles, contudo sem o juízo crítico, sem intervenção e sem manifestar impulso para uma transformação social. Carolina pode ser interpretada como